Os Sete

Antes de começar este post, vamos a uma consideração teórica. Literatura de horror é parte da literatura de fantasia? Bem, se pensarmos em literatura de fantasia como uma literatura que apresenta mundos e/ou elementos fantasiosos, sim. Mas o que são elementos fantasiosos? Bruxas, vampiros, magia, urucubaca, espíritos, universos paralelos? Bem, algumas pessoas não considerariam tudo isso como algo fantasioso. rs Mas vamos partir dessa idéia de que esses elementos fantasiosos caracterizam a fantasia e por consequência, a literatura de fantasia. Estariam aí incluídos então no mesmo balaio livros tão discrepantes quanto Dracula, de Bram Stoker, e Crepúsculo de Stephanie Meyer???????

É uma questão no mínimo controversa. Um possível modo de raciocínio é dizer que a literatura de fantasia pode ser dividida em subgêneros. Dessa forma, teríamos a literatura de fantasia no subgênero romance, comédia, paródia, suspense, horror e é claro, a fantasia clássica. Mas o que é a fantasia clássica, meu Deus? O Senhor dos Anéis, Alice no País das Maravilhas, Frankenstein?

Bem, minha idéia não é oferecer uma resposta de teoria da literatura para a questão (até porque acredito que esse tipo de coisa só possa ser discutida, nunca realmente resolvida), mas simplesmente jogar uma idéia na roda. Agora vamos ao livro propriamente dito.

Título: Os Sete

Autor: André Vianco

Ano de publicação: 2000

País de Origem: Brasil

Editora: Novo Século – 380 páginas

Não vou mentir: comprei esse livro porque estava em promoção na Submarino, e, segundo o que consta minha letra na folha de rosto (sempre escrevo meu nome e data de compra dos livros), isso foi em janeiro do ano passado. Até então nunca tinha ouvido falar em André Vianco.

André Vianco é um best-seller nacional escrevendo fantasia (sobrenatural, horror, whatever) o que é uma coisa extraordinária em si só. E mais, ele ficou conhecido por escrever sobre vampiros no Brasil. Vampiros! No Brasil! Tá aí uma coisa que eu sempre achei difícil de engolir. A simples idéia de ter um vampiro andando no calçadão de Copacabana ou sentado num boteco em Belo Horizonte é simplesmente bizarra demais para ser apagada da minha mente. No entanto, achei que no livro Os Sete a coisa até que me convenceu.

A trama básica gira em torno de uma caravela encontrada no litoral do Rio Grande do Sul. Uma universidade custeia e incentiva o estudo, mas para isso, a caravela precisa ser retirada do fundo do mar e um grupo de mergulhadores é contratado para ajudar. Os personagens centrais são esses mergulhadores mais uma pesquisadora chamada Eli. Eles eram amigos de infância. Dentro desse grupo, há um casal, Eli e Tiago, que têm aquela relação típica de UST (Unresolved Sexual Tension).

Dentro do navio, há uma caixa de prata que encerra sete cadáveres. Tá na cara que são os vampiros. Eles acordam, correm atrás de todo mundo, explodem coisas, apavoram a cidade, essas coisas… E são vampiros portugueses! No começo eu torci o nariz, mas depois acabou me convencendo também.

Os Sete é certamente um livro imaturo; alguns trechos são exaustivos, algumas narrações de cenas de violência são Stephen King demais, outras cenas de ação ficam muito curtas ou óbvias. Mas apesar disso, é um livro que consegue te prender, você quer saber o final. Vale lembrar que Os Sete é o primeiro livro do autor.

Os vampiros são vampiros de verdade. Nada de brilhos no sol, nada de lendas indígenas suspeitas: os vampiros de André Vianco bebem sangue e estraçalham todo mundo o que, convenhamos, é o que um vampiro que se preze deve mesmo fazer.

Não é um livro espetacular, mas não é ruim, é apenas um pouco imaturo. No entanto, o que mais me chamou atenção é que ele de fato te convence de que vampiros podem andar por aí no Brasil num livro que não é de comédia. E isso já é uma grande coisa, na minha opinião. Acho que alguns personagens poderiam ter sido melhor trabalhados, achei que faltou alguma emoção no sentido de “ah, meu amigo acabou de ter a cabeça arrancada por um vampiro. Oi vampiro, vamos fazer uma aliança?”. Mas eu gosto demais de um lado psicológico desenvolvido, então sou chata com esse ponto.

Recomendo o livro para uma leitura de fim de semana.

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13 Comentários (+adicionar seu?)

  1. brisalosque
    ago 27, 2010 @ 01:11:57

    Eu gostei da leitura 🙂

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  2. Thais Priolli
    ago 28, 2010 @ 01:56:14

    Também achei a idéia de vampiros no Brasil um tanto quanto estranha, ainda mais vampiros portugueses.
    Para mim este livro foi bem difícil a leitura, acredito que o autor descreveu aonde não precisava e em alguns lugares que precisava de mais descrição ele passou direto.
    Também achei que por ser o primeiro livro essas falhas poderiam ser relevadas. No segundo livro, Setimo, melhora um pouco, mas nada considerável.
    Vou persistir com os seguintes.

    Responder

    • Melissa
      ago 28, 2010 @ 14:17:15

      Eu também tive essa impressão, Thais. Tem coisa detalhada demais e coisa detalhada de menos. Confesso que não animei o suficiente para ler Sétimo.

      Responder

  3. Mi
    ago 30, 2010 @ 00:09:47

    Ok, até que enfim alguém conseguiu definir Os sete: imaturo. É a palavra perfeita.
    Agora, vamos combinar que se o Vianco não tivesse matado o Inverno e resolvesse trabalhar melhor nele, teriamos um grande vampiro, não é verdade? Eu adorei o Inverno!!! XD
    E sim, definitivamente, nada de sol e purpurina. huahahahahahaha
    Eu ainda não li Sétimo. Mas li O senhor da chuva, que é o livro anterior, mencionado em Os Sete. Também imaturo, mas me fez ter pesadelos. Recomendo.
    Como sempre ele caga no final, mas who cares? A leitura é divertida.

    Responder

    • Melissa
      ago 30, 2010 @ 01:02:19

      Eu acho o Inverno um vilo perfeito, principalmente em termos de vampiro. S que o final do livro foi um tanto brochante e a morte do Inverno me tirou a graa de ler Stimo. Porque o Stimo muito “grandalho”. Sei l, uma besta malvada. No vejo muita graa.

      Confesso que no consegui chegar ao final de O Senhor da Chuva. Era to quero-ser-Stephen-King que me deixou nervosa.

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  4. Gustavo Domingues
    ago 31, 2010 @ 00:46:54

    Primeiro deixe-me falar sobre sua divagação de divisões: Acredito que fantasia, terror, ficção científica, ficção histórica e romances contemporâneos pertencem todos ao gênero “ficção”.
    Opa! Deixe-me aquecer meus dedinhos gordos para escrever sobre este livro…
    Pronto, bem aquecidos:
    Sempre ouvi falar muito bem de André Vianco, trabalhava com um rapaz com bom gosto para livros e este sempre me indicou os livros do escritor.
    Comprei seus livros, todos de uma vez em uma promoção. Tenho que falar que escondo a coleção atrás de meus livros do Benard Cornwell.
    André Vianco me irrita com seu esforço. Ele aparentemente é um escritor que se esforça em demasia para escrever livros acima de sua capacidade. Suas passagens são forçadas e acontecimentos patéticos (vide qualquer trecho de vampiros encontrando e conversando com mortais).
    Todo o comportamento governamental é absolutamente ridículo. Do exército então, nem se fala. André Vianco não se deu ao trabalho de pesquisar os procedimentos militares e governamentais nem na internet. Parece que todos os personagens agem de acordo com uma cartilha absurda .
    A mitologia vampiresca é pífia e previsível , assim como a maioria dos acontecimentos, como foi bem colocado no trecho citado do sarcófago de prata. André Vianco plagia furiosamente as idéias de Aset Ka(sociedade vampírica que acredita ter raízes no Egito), até o fato de eles terem sede em Portugal. Aliás, ele é maluco o bastante a ponto de alegar ter encontrado um vampiro português de verdade, cujo mestre foi um vampiro egípcio antigo, que trabalha em uma igreja no Brasil e tenta redimir seus pecados.
    As descrições são risíveis, os personagens profundos como um pires, os arcos de enredo cheios de buracos e acontecimentos sem explicação pulam no seu rosto como uma marionete de mola escondida no livro(como é a tensão entre Eli e Thiago).
    Não exijo realismo de nenhum livro de ficção, não questiono os poderes dos vampiros por exemplo, mas exijo verossimilhança, e André Vianco peca muito nisso.
    SPOILER: Por mim um vampiro pode congelar a umidade do ar, ou parar o tempo, mas o Brasil ter uma ogiva nuclear… ISSO extrapola os limites do aceitável para qualquer amante de história. E você imagina a Fátima Bernardes (ou qual seja a apresentadora) falando que um lugar está sendo chamado de Geladeira do Diabo?! Falta de bom senso do caramba. Vampiros criados por satã?! Nem um pouco criativo. Um caçador chamado Tobia? Ele deve estar de brincadeira.
    FIM DO SPOILER
    No dia que eu fizer um podcast sobre esse livro não vou perdoar nenhuma passagem com a qual fiquei desgostoso. Depois ainda vou mandar o link para ele pelo twitter (@andrevianco), aliás, sigam ele, vejam até onde a criatividade dele vai pelo twitter.
    A melhor coisa com vampiros que existe atualmente é True Blood.

    Responder

  5. Melissa
    set 06, 2010 @ 17:56:10

    Eu não destilaria tanto veneno. Como eu disse, achei o livro imaturo, mas as idéias dele são interessantes. Essa questão que você colocou de achar que ele se esforça em demasia para escrever mais do que consegue é um reflexo dessa imaturidade, você não acha? Bem, de qualquer forma não li outros livros dele (só metade de O Senhor da Chuva) então não posso comentar muito.

    O que mais me irritou em Os Sete, no entanto, foi os momentos de tensão da história. Em algumas passagens, o nível de tensão é muito alto quando não deveria ser, em outras, é muito baixo quando deveria ser alto. Isso fez com que o livro ficasse um tanto maçante lá pelo meio.

    Claro que eles todos pertencem ao gênero ficção, por isso mesmo eu estava falando de SUBgêneros, não? Afinal, esse blog é dedicado ao subgênero fantasia, então tudo deve estar devidamente delimitado, se não, seria apenas um blog sobre livros em geral.

    Responder

  6. Gustavo Domingues
    set 06, 2010 @ 18:19:21

    Entendi que você marcou como subgênero, mas foi o que comentei. Na minha opinião “terror” não se enquadra dentro de “fantasia”, mas o complicado é limitar ambos, e saber onde um deles começa e o outro termina.

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  7. Trackback: Essa semana… « Livros de Fantasia
  8. Jéssica
    jan 02, 2011 @ 03:35:06

    Peguei o livro da Mel e comecei a ler no final de 2009. Resultado: não passei do primeiro capítulo. Achei terrivelmente pouco envolvente.

    Responder

  9. Trackback: O Senhor da Chuva « Livros de Fantasia

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