A Torre Negra Vol.1 – O Pistoleiro

Título: A Torre Negra Vol. 1- O Pistoleiro
Título original: The Dark Tower – The Gunslinger
Autor: Stephen King
Ano de publicação: 2004 (primeira publicação em 1982)
País de origem: Estados Unidos
Tradução: Mário Molina
Editora: Objetiva – 224 páginas

Desde que li Os Olhos do Dragão virei fã de Stephen King. Procurei ler outros livros dele, desde os clássicos Carrie, O Iluminado, A Coisa até o inesperado À Espera de um Milagre. Meu pai é um grande fã do King, então eu sempre tive os livros ao meu alcance para ler. No entanto, nenhuma série chegou a me tirar o fôlego tanto quanto A Torre Negra.

Eu sempre digo que Harry Potter é minha série favorita, mas que A Torre Negra é a melhor série de fantasia que já li. Sem sombra de dúvidas. E começar a escrever um post sobre esse assunto é uma tarefa no mínimo difícil. Primeiro porque essa série é fruto de um trabalho de décadas de seu autor e apresenta inúmeras iconsistências. Muita gente reclama de A Torre Negra dizendo que é um monte de bla bla bla que poderia ser resumido em um número de páginas infinitamente menor e eu concordo, no entanto, isso tiraria o grande brilho da série que é justamente começar sem saber exatamente o que se está fazendo e terminar em uma grande revelação. A escrita de A Torre Negra acompanha seu desenvolvimento como enredo: uma coisa é o espelho da outra.

Meu pai pegou o livro pra mim na biblioteca e eu comecei a ler numa espécie de frenesi hipnótico. Sério, isso pode parecer estranho e totalmente piegas, mas foi o que aconteceu. E O Pistoleiro é um livro ruim, tenho plena consciência disso. É um volume muito inconsistente. Obviamente que existem passagens incríveis como Jake caindo no abismo (uma das milhões de imagens que assombra Roland) ou a “conversa” entre Roland e Walter das Sombras mas de resto, é difícil de aguentar. A gente lê porque vislumbra que no fundo existe uma grande idéia.

A série inteira é baseado no poema de Robert Browning Childe Roland to the Dark Tower Came. E baseado não quer dizer copiado como algumas pessoas insistem em dizer. O personagem central é Roland, o último pistoleiro. E eu sempre o imagino num estilo meio Clint Eastwood (claro, Western é uma das grandes influências do livro). O clima do livro é pós-apocaliptico e esse foi justamente o elemento que me chamou a atenção quando li a contra-capa “Num mundo pós-apocaliptico…”. A desolação do mundo em que Roland vive e a sua obcessão em salvá-lo é de uma profundidade e ao mesmo tempo de uma irracionalidade que faz com que o leitor queira continuar lendo. E mais, a personalidade de Roland é ao mesmo tempo tão asquerosa e autruísta que é preciso ler mais e saber qual é o limite entre uma coisa e outra.

O mote do livro é a perseguição de Roland ao Homem de Preto. Nesse livro não há muita informação. O que sabemos de Roland é pouco ou quase nada. Ele é o último de sua linhagem, sua cidade foi destruída, ele teve uma iniciação precoce, é um solitário por natureza. Sua missão é chegar à Torre Negra, centro do mundo, e “consertar” o que quer que tenha dado errado. Aliás, a metáfora o mundo que “seguiu adiante” é linda. Tudo foi pra frente, o que ficou foi um grande borrão impreciso. É como se a evolução tivesse chegado, mas não para todos. E esses todos que ficaram ou estão doentes ou loucos ou decadentes como se pode ver na cidade em que Roland pára. E aí vemos mais uma característica de Roland: tudo que ele toca vira morte.

O tom de revelação que a série A Torre Negra apresentada já aparece nesse primeiro volume. E a principal delas é o número 19, sempre pairando acima das personagens como uma coisa sublime: perigosa e incrível ao mesmo tempo. Uma das passagens mais emblemáticas em relação ao isso é quando uma das mulheres da cidade utiliza o número para descobrir “a verdade”. A chave lhe foi dada e ela não resiste em perguntar, mesmo sabendo que essa verdade irá levá-la à loucura.

A inconsistência do livro faz com que a leitura se torne pesarosa. É uma coisa arrastada que alterna momentos de total empolgação com um clima maçante. Os pontos altos do livro são: Roland e a mulher na cidade que está destinada à destruição, o encontro com Jake e a conversa final com Walter. O resto é resto.

A escolha de Roland no final do livro é tão cruel e o modo com que ele decide por isso é tão racional que o leitor é praticamente obrigado a ler o volume seguinte somente para entender como é que a cabeça daquele homem funciona. No entanto, é interessante observar como a memória de Jake assombra Roland, não por uma culpa, mas pela resignação de Jake e sua aparente compreensão ao dizer “Vá, há outros mundos além deste”. Nada melhor do que um anti-herói assombrado.

Uma característica do livro é a mistura de elementos de cultura pop (Beatles, Heavy Metal, Western) com figuras clássicas da literatura de fantasia (o anti-herói, o guardião, o pupilo). King mescla as duas coisas e consegue produzir uma certa quebra de expectativas, mas que não abandona o cliché. O leitor sabe o que esperar, mas ainda assim se surpreende porque King brinca com as indas e vindas da literatura do tipo.

O livro combina bem fantasia clássica, terror, horror e drama psicológico, mas peca um pouco na inconsistência mencionada. Recomendo muito essa série, mesmo sabendo que o primeiro volume é difícil. Mas quem passa por ele, se depara com um dos maiores expoentes da literatura de fantasia.

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Camila
    set 08, 2010 @ 23:16:15

    Tenho a maior vergonha de dizer que ainda não li nada do Stephen King!! Isso é péssimo para o meu currículo!! Mas pretendo resolver essa questão até o fim desse ano e essa série está na minha lista!
    beijos
    Camila – Leitora Compulsiva

    Responder

    • Melissa
      set 11, 2010 @ 17:24:16

      Não acredito, Camila! Que coisa, hein? Mas de qualquer forma, eu recomendo que antes de ler “A Torre Negra” você leia outro livro do King primeiro. É que a Torre Negra tem muitas referências a outros livros e é uma coisa bem diferente. Então se você quiser entrar nesse “universo King” leia primeiro O Iluminado ou mesmo Carrie. Acho que vai ser mais interessante pra você poder entrar de cabeça em A Torre Negra.

      Responder

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