Crepúsculo

Título: Crepúsculo
Título original: Twilight
Autor: Stephanie Meyer
Ano de publicação: 2005
País de origem: Estados Unidos
Tradução: Ryta Vinagre
Editora: Intrínseca – 390 páginas

Eu li Crepúsculo antes da modinha maldita. Peguei por acaso um folheto promocional da Intrínseca e li o primeiro capítulo. Achei legalzinho e li o resto da internet (momento assumindo a pirataria). Várias amigas minhas online indicaram o livro dizendo que era muito bom, então eu dei fé e li mesmo. Achei uma leitura mediana, mas não chegou a me empolgar a ponto de ler os próximos volumes. Algum tempo depois, com o lançamento do filme, a série virou um fenômeno mundial que balançou o mercado dos best-sellers trazendo uma atenção imensa a livros que abordam o tema sobrenatural, principalmente envolvendo vampiros. Prometo que vou tentar ser imparcial nesse post. rs

O livro como todo mundo já sabe é contado do ponto de vista de Bella Swan, uma garota da Califórnia que se auto-exila em uma cidadezinha do interior de Washington a fim de dar à mãe a liberdade de curtir seu segundo casamento. Esse ato aparentemente e superficialmente altruísta serve como justificativa para a maioria das ações de Bella durante o livro. Nessa cidade onde chove e fica nublado o tempo todo, Forks, Bella tenta se adaptar à nova realidade. No entanto, ela se sente excluída. As pessoas, apesar de convidativas, não lhe parecem interessantes e ainda por cima ela tem que lidar com a relação de estranhos que tem com o pai. Isso tudo frequentando o ensino médio. rs

A descrição do livro diz que Bella não é bonita, mas incrivelmente todos os garotos da escola parecem discordar. Esse é o primeiro grande paradoxo do livro: se ela é bonita então porque todo mundo acha isso? Chega a ser irritante o fato de todos gostarem dela sem motivo. Na verdade, ela é bem desagradável com as pessoas e não faz muito esforço para ser simpática.

Logo de início ela se interessa por Edward Cullen, um rapaz absurdamente lindo. As descrições físicas de Edward são exageradas e sinceramente me lembram um pouco livros do José de Alencar pois envolve expressões como “o peito alvo”, “os olhos mais brilhantes que as estrelas” e variações. Amor à primeira vista. Okay. Na verdade, eu não tenho nada contra amor à primeira vista, mas o modo como a coisa contece no livro não é natural. Eles estão numa aula de biologia e ela corta o dedo, o cara fica louco e puff é o amor! ????

Bella fica obcecada por Edward e vice-versa. Na escola, todos comentam que os Cullen (lindos, todos lindos que parecem ter saído de um episódio de Gossip Girl!) não dão bola pra ninguém, mas Edward, ah, ele gosta da Bella. A coisa fica só no olhar até que um dia o rapaz misterioso (olha que brega essa expressão) a salva de um atropelamento. Simplificando: um carro em alta velocidade bate nele e ele praticamente destrói o carro. Bella vê tudo e vê que ele não pode ser realmente humano, mas quem se importa, ele é lindo!

Essa é uma das coisas que não gosto de jeito nenhum no livro: a falta de verossemilhança por menor que seja. Bella simplesmente não sente medo. Como assim um cara sobrenatural que não morre está perto de você e você não sente medo? Ela descobre que ele é um vampiro pesquisando no google! E não, não sente medo. As pistas que levam ao fato de Edward ser um vampiro são mínimas mas ela meio que junta tudo no google e pronto. A primeira coisa que ela faz é ir para um lugar isolado com o recém descoberto vampiro e contar tudo pra ele. Putz, a menina não tem medo. Como assim?

Quando Edward conta a verdade a cena beira o patético por conta da falta reação de Bella. Ela não liga. Ela quer é ficar com o bonitão. Sinceramente, um conflito ficaria legal, mas não, tudo é fácil demais em Crepúsculo. Os dois começam a namorar e Edward é um obcecado. Ele fica assistindo ela dormir, a segue por todos os lugares que ela vai… E Bella não tem mais vida social, sua vida agora é Edward. Tudo bem que todo mundo fica um pouco assim no início do namoro, mas puxa, eles nem conversam!

Mais um ponto negativo do livro. Edward e Bella não têm assunto. Eles ficam o tempo todo olhando um para o outro de um jeito meio hipnotizado e só falam sobre coisas de vampiro. Eles não têm muita química, não têm nada em comum, e o que resta é esse amor doentio um pelo outro. Na minha opinião é um casal pouco convincente, mas que acaba projetando aquela idéia adolescente de amor imaturo: um amor impossível, algo ultra romântico e especial para todo o sempre. Aquele amor que não envolve amizade, só uma paixão arrebatadora.

Stephanie Meyer criou um novo universo para os vampiros. Nele, vampiros não dormem em caixões, mas sim habitam casas normais. Além disso eles não viram pó quando entram em contato com o sol e sim brilham. E é por isso que não andam por aí de dia, porque brilham. No entanto, os Cullen vivem em Forks porque lá está sempre nublado, então não tem problema. Além disso, os Cullen não se alimentam de sangue humano e sim de sangue animal. São vampiros legais. Nada contra criar universos novos a partir de mitologias velhas, mas essa de vampiro brilhar é complicado. Parece que foi só uma estratégia que a autora usou para se livrar de um problema: como um vampiro iria frequentar o ensino médio se ele não pode andar no sol?

A ação começa quando, durante um jogo de baseball com a família Cullen, um bando de vampiros cheira Bella e a reconhece como humana. Logo começa uma briga e os vampiros juram Bella de morte. Edward então esconde Bella para que ela não corra perigo.

Ah, cada vampiro possui um poder especial. O de Edward é ler pensamentos, mas misteriosamente ele não lê os pensamentos de Bella, o que o intriga.

No fim das contas, Bella cai numa armadilha, temos uma luta, um clímax, Edward salva a mocinha e final feliz. No entanto, a narrativa não consegue lidar com o mote amor entre mortal e imortal, a coisa é reduzida a algo simplista demais. É só comparar com famosos casais que lidam com essa mesma temática como Aragorn e Arwen de O Senhor dos Anéis e Tristan e Yvaine de Stardust.

Além disso, o elemento  fantasia em Crepúsculo serve apenas como um background para uma história de amor água com açúcar. O que importa não é o universo do sobrenatural e fantasioso e sim Edward, Bella e seu amor infinito. Não li os outros livros da série, mas conheço os spoilers pelos filmes e pelos fãs. A continuação explora ainda mais o nível amoroso, entrando em clichés como o triângulo amoroso e sinceramente, bem mais ou menos. Sem contar que a representação da mulher nessa série é extremamente complicada, principalmente no que concerne submissão aos homens.

Enfim, não curto Crepúsculo e não sei se podemos realmente classificar o livro como fantasia, mas, aqui está minha resenha. Fiquem à vontade para discutir.

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17 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Lucivânia
    out 12, 2010 @ 23:54:51

    Ah, eu acho que apesar de ser basicamente um romance adolescente, pode ser considerado uma fantasia também. Fala de outras criaturas, né? Um conceito diferente de vampiros (embora eu prefira o tradicional, quando li também não me apeteceu), mas dá o ar da “fantasia” à coisa toda.

    Responder

    • Melissa
      out 13, 2010 @ 13:07:34

      Sim, acho que pode ser considerado fantasia. A questão é que a coisa fica muito mais no background. O assunto principal mesmo é o romance entre a Bella e o Edward.

      Responder

  2. Caileach
    out 13, 2010 @ 00:14:40

    Crepúsculo é uma bosta. Ponto!
    Não serve como romance pq é deveras piegas.
    Não serve como história de vampiros pq vampiros não brilham no sol, só pra citar um único motivo.
    Crepusculo taca no lixo qse quarenta anos de luta feminista colocando na cabeça de adolescentes qeu elas precisam ter um macho do lado pra protege-las. Enfim, Crepúsculo presta um desserviço à humanidade e eu sou Stephen King through and through. Afinal, depois que as loucas (vulgo fãs de crepusculo) resolveram destratar deus a coisa se tornou pessoal.

    Responder

    • Melissa
      out 13, 2010 @ 13:09:55

      Minha questão com aquelas fãs doentias do Crepúsculo é que elas são fãs doentias. Conheço gente que gosta de Crepúsculo e age de uma maneira normal, sabe, lê outros livros, gosta de outras coisas. O problema dos xiitas é que eles lêm SÓ isso e acham que é a melhor coisa do mundo e principalmente, não sabem aceitar uma crítica. Todo mundo tem que saber aceitar uma crítica, sabe. Faz parte da vida.

      Quanto às mensagens de submissão das mulheres, ai, esse assunto é tão complicado que dá pra faze um post inteiro sobre isso! Se habilita, Mi? rs

      Responder

  3. Camila
    out 13, 2010 @ 00:30:06

    Oi Mel!!
    Eu tive uma experiência incrível com essa série e sou uma fã assumidíssima!! Gosto do tipo de narrativa e sou inclusive muito fã da Bella, o que é muito raro!!! Mas não acho que a história é completamente isenta de falhas!! Na verdade, ainda não encontrei um único livro que não deixasse a desejar em algum determinado ponto, mas procuro relevar isso porque entendo o quanto é impossível abordar todos os aspectos de uma história!
    Beijos
    Camila – Leitora Compulsiva

    Responder

    • Melissa
      out 13, 2010 @ 13:13:00

      Camila, como eu disse pra Mi no comentário abaixo, graças a Deus existe gente que não é obcecada. Porque você é uma pessoa que curte Crepúsculo pra caramba mas lê outros livros, gosta de outras coisas, aceita críticas na boa sem dar chilique… Isso é muito bom! Porque eu acho que livros são pra discutir mesmo! Também concordo com você quando diz que nenhum livro está isento de falhas. E reconhecer isso é que faz com a gente resolva fazer blogs sobre eles, não?
      bjs!

      Responder

      • Camila
        out 28, 2010 @ 21:31:47

        É verdade Mel, por mais que eu curta muito a série, não vou sair por aí arrumando confusão e dizendo que é a melhor coisa do mundo! Até porque não é!! hehehe Eu leio todo tipo de livro e depois de tanto tempo, já deu para perceber que nenhuma história vai agradar 100% das pessoas!
        Me lembro quando fiz uma resenha dizendo que não gosto do estilo do Saramago, embora ele seja considerado um escritor sensacional e quase me mataram!! Mas eu nem ligo!! hehehhe
        Mas tudo isso é fase!! Até hoje tem gente que é doente por Harry Potter… tem quem fale com a língua dos elfos do Tolkien!! hahaha
        Beijos

  4. Trackback: Essa semana… « Livros de Fantasia
  5. Jéssica
    jan 02, 2011 @ 03:11:35

    Quando li Crepúsculo eu gostei muito, e li toda a série depois. Mas depois do lançamento dos filmes, dos acessos das fãs malucas e do final ridículo da série, eu me desencantei totalmente. Atualmente eu tenho vergonha de falar que li e que já fui fã. rs

    Responder

  6. Andrew
    fev 17, 2011 @ 03:05:16

    É um lixo!

    Responder

  7. Trackback: A Escolha de Elphame « Livros de Fantasia
  8. Trackback: Final Alternativo para “Amanhecer”, de Stephanie Meyer (ou um final sem bebês-monstro e outras coisas out of the blue) « Mundo de Coisas Minhas
  9. Trackback: Crepúsculo: Amanhecer Parte 1 « Livros de Fantasia
  10. Liége
    dez 08, 2011 @ 02:23:43

    Ai, eu concordo plenamente com a sua resenha, Melissa. Só li o primeiro da série por insistência da minha irmã, que achou que eu ia gostar. Todos os elementos que você apontou foram exatamente as coisas que me desagradaram. Não deu pra mim não. Eu gosto de romance, mas um livro que gira apenas em torno disso de maneira descabida e destrambelhada (para mim) não dá.

    Responder

    • Melissa
      dez 09, 2011 @ 00:55:59

      Eu achei o livro meio pobre sim, sabe. Achei que forçou a barra demais pra que algumas coisas se encaixassem. Verossemilhança passou longe.

      Responder

  11. Liége
    dez 08, 2011 @ 02:25:04

    Ah, e posso dizer que Bella foi a protagonista de livro que eu mais desgostei até hoje.

    Responder

  12. Trackback: Outras Mídias: Branca de Neve e o Caçador « Livros de Fantasia

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