Outras Mídias: Lost

Esse post é para falar de fantasia em uma outra mídia, no caso, na televisão. Esse grande parênteses no blog é basicamente dedicado a uma das maiores séries de fantasia de todos os tempos, Lost.

Peraí, desde quando Lost é uma série de fantasia?

*este post contém spoilers sobre as seis temporadas da série, incluindo o gran finale*

Para quem só ouviu falar, Lost é uma série de aventura e drama sobre um grupo de sobreviventes de um desastre aéreo que vai parar em uma ilha no meio do pacífico. O grande plot de Lost é mostrar o conflito desses personagens, mostrando suas histórias pessoais dentro e fora da ilha, seus problemas, suas conexões e dúvidas.

Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas…

Desde o primeiro episódio há um elemento misterioso: a fumaça preta. Basicamente, é uma fumaça preta (duh!) que mata as pessoas. Esse elemento sempre conferiu um caráter misterioso e fantasioso à série, pois era algo que não poderia ser explicado através da ciência (o que nos levaria à ficção científica e não à fantasia) a não ser que se provasse ser o fruto da imaginação dos personagens.

À medida que a série avançou (temporadas 3 e 4, principalmente) novos elementos sobrenaturais foram incorporados como ver/falar com os mortos, gente sendo trazida de volta à vida e gente sendo levada à morte em situações místicas. Isso, no entanto, não caracteriza Lost como uma série de fantasia, apenas mostra como a série incorporou elementos das histórias de fantasia. Isso até a temporada final (temporada 6).

Em sua season finale, Lost assume sua posição como série de fantasia ao utilizar elementos místicos e fantasiosos para explicar os acontecimentos. O maior exemplo disso é a natureza da ilha, espécie de lugar de encontro, e a Luz, energia mágica que dá vida ao lugar e permite que os encontros aconteçam. A ilha é um lugar da fantasia, não da ciência.

Até mesmo a Jornada do Herói (Joseph Campbell) se torna a jornada do herói da fantasia: Jack assume sua posição como Escolhido e toma a guarda da ilha estando disposto a se sacrificar para salvá-la e livrar seus amigos das forças do mal.  A partir desse momento, o espectador entende que não está assistindo a uma ficção científica e sim a um enredo de fantasia jenuíno. E dos bons!

Temos até mesmo uma batalha final entre o bem e o mal onde o Monstro da Fumaça Preta, entidade personificada no corpo de Locke (antigo sobrevivente da ilha que já tinha morrido), luta para destruir a ilha. E esse não é o desejo de todo vilão de fantasia? Dominar e destruir o mundo mágico-fantástico-fantasioso vigente? Nessa luta, Jack – então incorporando o verdeiro herói de fantasia – consegue ferir o inimigo, mas não destruí-lo. Para isso, ele precisa da ajuda de seus amigos. Destruído o inimigo só resta o sacrifício final em nome daqueles que se ama. Jack retorna à Luz da ilha para tentar restaurar a ordem desfeita e nesse processo, morre.

Precisa explicar mais?

Além disso, a gênese da ilha tem uma explicação de fantasia. A história da criação do Monstro da Fumaça Preta envolve diretamente a figura do mentor da ilha, Jacob. Outro clássico da fantasia: o mentor do herói (ou heróis) tem algum envolvimento direto com a história do grande vilão. Além disso, os temas: o que é o bem? o que é o mal? existe uma separação clara entre bem e mal? o que acontece quando se escolhe um desses lados? são abordados o tempo todo durante a série e apesar de serem questões universais à contação de histórias em geral são abordados de forma similar a inúmeros enredos de fantasia indo de O Senhor dos Anéis até Fronteiras do Universo.

Para finalizar, a questão vida, morte e renascimento é mostrada de uma forma espiritualizante (e digo a palavra no sentido de dizer o que não é material, não necessariamente algo religioso). Durante a temporada final, os flash-sideways (espécie de universo paralelo) mostram uma realidade alternativa onde o avião 815 da Oceanic nunca caiu. No entanto, os personagens são reunidos por uma força misteriosa que os faz “lembrar” pouco a pouco do que aconteceu. Na cena final, Jack se lembra do sacrifício que fez na ilha e se lembra da terrível verdade: ele está morto desde então. Essa é a hora de re-encontrar os amigos e seguir adiante. O que tem adiante? Uma luz branca.

A meu ver a série deu uma guinada corajosa que desagradou a muitos fãs. Muitas questões “científicas” não foram resolvidas, no entanto, outras ligadas à fantasia foram. Por que fomos escolhidos para vir até a ilha? O que acontece quando morremos? O que faz de alguém um heroi? Qual é a grande força que move o universo? As respostas dadas? Porque vocês são especiais. Seguimos adiante. Sacrifício. Amor.

Outro símbolo comum ao gênero fantasia são os ritos de passagem e a volta ao local de origem. Quanto ao primeiro, a mãe de Jacob passa o comando da ilha para ele, tornando-o um igual; Jacob, por sua vez, passa a taça (literalmente) para Jack e este, para Hurley. Depois do sacrifício, sempre surge alguém inesperado para receber alguma glória. A volta ao lugar de origem marca o fim do episódio. Jack morre no bambuzal, lugar onde caiu no desastre de avião.

Vida. Morte. Renascimento.

Simplesmente fantástico.

Importante: o enquadramento de Lost no gênero fantasia é polêmico e esse post é apenas um apanhado de idéias. Para mais aprofundamento, sinta-se à vontade para clicar nos comentários e discutir tudo isso.

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Vania
    dez 16, 2010 @ 00:19:35

    Fantasia ou não, eu amo Lost do mesmo jeito haha! Sério, pra mim é uma das melhores séries já feitas, e o mais maravilhoso nela é que a questão mística/fantástica é apenas um detalhe: o centro da série fica em seus personagens, suas lutas, conquistas, redenções, aprendizados. Lindo post, Mel!

    Responder

    • Melissa
      dez 16, 2010 @ 02:26:55

      Que bom que gostou, Ily. E concordo com você: o melhor de uma série são sempre os personagens. E nesse quesito Lost dá um show!

      Responder

  2. Jéssica
    jan 02, 2011 @ 03:48:43

    Lost é muito bom. Os personagens são bem desenvolvidos e a questão psicológica é muito profunda em cada um deles.

    Responder

  3. Trackback: A Torre Negra Vol.7 – A Torre Negra « Livros de Fantasia

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