As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.2 – A Fúria dos Reis

Título: As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.2 – A Fúria dos Reis
Título original: A Song of Ice and Fire: A Clash of Kings
Autor: George R.R. Martin
Ano de publicação: 2011 (primeira publicação em 1998)
País de origem: Estados Unidos
Tradução: Jorge Candeias
Editora: Leya – 656 páginas

O segundo volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo começa exatamente onde termina o primeiro livro: em meio a um reino tomado pela guerra civil e pela loucura. E como que para simbolizar o caos do mundo em terra, nos céus aparece um cometa vermelho sangue que mexe com o imaginário do povo de Westeros. Enquanto para uns é um sinal de sorte, para outros é o sinal dos fins dos tempos, da vinda do novo deus, a bênção de um rei, ou, até mesmo, o sinal de um caminho rumo ao destino.

A continuação continua com o rítmo marcado e dinâmico do primeiro livro e ao longo de seus 70 capítulos temos acesso à mente de 9 personagens mais o personagem do prólogo. Além dos personagens que marcaram presença em A Guerra dos Tronos como a família Stark, o anão Tyrion e a rainha exilada Daenerys, o leitor é apresentado a dois novos personagens que acrescentam uma nova visão à guerra civil de Westeros. São eles:

  • Davos Seaworth: é um ex-contrabandista que foi feito cavaleiro após salvar Stannis Baratheon de um cerco que o levaria à morte certa. Quando Stannis passa a clamar o Trono de Ferro, Davos o apóia sem muita contestação pois confia no julgamento justo de Stannis, apesar de este ter uma reputação de ser um homem sem sentimentos. A narrativa de Davos é quase nostálgica; pelo homem que seu senhor foi e pela vida sem muita cerimônia que um dia teve. É o único ponto de vista que atinge os bastidores do Rei Stannis.
  • Theon Greyjoy: foi criado na Casa Stark, parte de um acordo com a Casa Greyjoy, das Ilhas de Ferro, depois que os últimos foram derrotados numa “revolução”. Theon cresce amigo de Robb, o herdeiro Stark, mas vê na atual guerra civil uma oportunidade única para trazer honra à sua casa e agradar seu pai. A narrativa de Theon é cheia de referências a sexo e o tom é notavelmente mimado.

As reviravoltas na trama são muitas e como no volume anterior, há muitas surpresas. A caracterização dos personagens é impecável e o realismo é o que fala alto no quesito tanto de emoções quanto de batalhas. No entanto, é esse mesmo excesso de realismo que faz o livro excessivamente longo e algumas partes chegam a arrastar um pouco. Tanto detalhe a cada acontecimento acarreta numa “embroma” pelo meio do livro, o que me fez lembrar um pouco dos volumes gigantes do Stephen King, que sofrem do mesmo mal. Isso não tira de modo algum a qualidade do livro e acho que é algo comum dos romances gigantes, mas não posso deixar de comentar.

Meu ponto de vista favorito continua sendo o de Daenerys, mas infelizmente ela ganhou pouco espaço dessa vez e sua narrativa perdeu um pouco da força. Tyrion Lannister me surpreendeu, e até passei a gostar mais dele depois que ele se mostrou corajoso e até, porque não, um tanto romântico. Sansa Stark também me ganhou mais, agora amadurecendo e mostrando personalidade – eu realmente ansiava por ler as partes da Sansa!!! Ao contrário de Tyrion e Sansa, que pra mim cresceram como personagens e também como narrativa de qualidade, Catelyn Stark caiu. Achei a parte dela muito repetitiva, lamuriando sempre as mesmas coisas. Eu entendo que é para transparecer do luto e talz, mas acho que Martin poderia ter trabalhado melhor essa questão. Até as metáforas da mulher eram sempre as mesmas!

O ponto de vista de Jon Snow não apresentou muitas novidades (a não ser pelo final Snape) e continuou na mesma, a meu ver. Já Arya realmente forneceu as partes mais empolgantes do livro, cheia de fugas e indagações profundas. Ela finalmente me cativou como personagem. Quanto aos novos narradores, Davos foi neutro no sentido de cativar ou não, apesar de ter gostado das partes dele, e Theon ganhou disparado na categoria personagens-babacas-que-eu-odeio. Não tem como ter respeito por esse cara: fraco, idiota, desprezível, machista, se acha, infeliz, péssimo estrategista e 100% estúpido. Se Martin quis que seus leitores sentissem raiva, conseguiu.

O volume é mais violento que o primeiro (contexto de guerra mesmo) e também tem mais referência explícitas a sexo, tortura e estupro. Então repito: não é o tipo de livro adequado para crianças e adolescentes de forma alguma. É fantasia para adultos e trabalha com temas adequados à sua faixa etária (sim, eu levo isso de faixa etária muito a sério). E sinceramente? Eu não vejo adolescente se interessando muito por esse tipo de livro não. Mas enfim.

Sequência muito boa, mas eu ainda prefiro A Guerra dos Tronos, porque esse sim realmente me tirou do chão e me fez mergulhar num mundo de intrigas. A Fúria dos Reis é um segundo volume decente e muito bom, segue os preceitos do primeiro livro, mas, a meu ver, não chega a mover mundos e não deixa o leitor assim tão desperado para ler a continuação. Mas claro, A Tormenta de Espadas está definitivamente na minha lista para o ano que vem.

A série As Crônicas de Gelo e Fogo tem cinco volumes publicados dos sete planejados para a série: A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones); A Fúria dos Reis (A Clash of Kings); A Tormenta de Espadas (A Storm of Swords); A Feast for Crows (ainda sem título no Brasil com previsão de lançamento para 2012); A Dance With Dragons (lançado em julho desse ano nos EUA).

Curiosidade: esse é o primeiro livro que faz uma referência direta ao título da série “A Song of Ice and Fire” e está na parte da Deanerys. Gostei, pois deu um sentido até poético à questão apresentada no título em inglês.

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Cassy
    out 27, 2011 @ 17:31:06

    Suas resenha como sempre é show, Melissa. E sua observação foi bem interessante, pois nunca gostei de Crônicas. Aliás, em alguns blogs os autores já usavam “Uma Canção de Gelo e Fogo”, como tradução do título da série. Ainda não entendi o porquê de Crônicas, mas a série está aí e é o maior sucesso. Isso é que importa. Ah, muito pertinente a sua observação quanto à faixa etária. Abraços.

    Responder

    • Melissa
      out 28, 2011 @ 01:41:22

      Essa coisa de Crônicas é esquisito, né? Eu fico pensando quem escolheu e foi o povo do Brasil, não de Portugal. Tipo que “crônicas” tem mais relação com relato enquanto que “canção” é com a idéia de algo épico e poético. Não entendi a mudança não.

      Faixa etária é importantíssima! Nada de dar de presente pro seu sobrinho de 10 anos que curte “Como treinar seu dragão”. E acredite, isso acontece!

      Suas visitas são ótimas como sempre, Cassy.

      Responder

  2. Trackback: As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.3 – A Tormenta de Espadas « Livros de Fantasia

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