O Senhor dos Aneis Vol.3 – O Retorno do Rei

Título: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei
Título original: The Lord of the Rings – The Return of the King
Autor: J. R. R. Tolkien
Ano de publicação: 2001 (primeira edição de 1955)
País de origem: Inglaterra
Tradução: Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta
Editora: Martins Fontes– 431 páginas

O Retorno do Rei fecha grandiosamente a já gloriosa trilogia O Senhor dos Aneis. Nesse volume que arranca lágrimas dos mais durões ao mesmo tempo que apresenta cenas de ação muito bem desenvolvidas com as já clássicas descrições detalhistas, o leitor encontra a origem de muitas histórias mais recentes que usam como tema o rei perdido e o heroi inusitado de origem humilde.

Tolkien não concordou com a decisão do editor de entitular o último volume da série como O Retorno do Rei. De acordo com ele, o nome revelava demais sobre o final da história e o título mais apropriado seria “A Guerra do Anel”. E como sabemos, editor ficou com a última palavra.

Dividido em duas partes como os livros anteriores, O Retorno do Rei se alterna basicamente entre os acontecimentos em Minas Tirith com a guerra e a jornada de Frodo e Sam através de Mordor. O livro V, que Tolkien queria ter chamado “A Guerra do Anel”, tem mais foco em Aragorn e seus dilemas pessoais para cumprir ou não seu papel como rei de Gondor. A questão da destruição do anel vai pro livro VI (e que ansiedade pra chegar nessa parte enquanto lemos!) com o título que Tolkien queria que fosse “O Fim da Terceira Era”. Na edição Millenium da trilogia, os títulos que Tolkien queria foram inseridos.

Não é a toa que esse volume final é um favorito entre os fãs. Os personagens que mais gostamos estão em seu ápice e as grandes questões são apresentadas, finalmente. Afinal, é o fim da terceira era, o fim da era dos elfos e o início da era dos homens e muitas mudanças estão ocorrendo na Terra Média. É sempre em situações de mudança e tensão que a humanidade o seu melhor e isso é bem verdade em O Retorno do Rei. Atos de heroísmo e sacrifício saltam dos capítulos e o famoso discurso de Aragorn sobre a coragem dos homens em frente ao portão de Mordor funciona como uma espécie de resumo do livro: lealdade, amizade e sacrifício. Esses são os grandes temas de O Senhor dos Aneis.

Alguns leitores contemporâneos acusam o livro de ser idealista demais. Afinal, todos os personagens principais demonstram seu valor e seu altruísmo nas batalhas pelo destino da Terra Média. Os traidores ou se arrependem ou são destruídos e os dilemas dos personagens são sempre ligados à honra. No entanto, temos que ter em mente que essa foi a proposta de Tolkien. A ideia dele era criar um mundo alternativo completo, com sua história e seus costumes, e que a jornada e a guerra pelo anel fossem, de fato, uma jornada e uma guerra pela honra e pelos valores mais nobres do homem. Então, não adianta reclamar, o livro cumpre o que se propôs e cumpre maravilhosamente bem.

Pra fechar, gostaria de trazer uma questão bem legal que apareceu no primeiro livro da série Crônicas de Salicanda, da Pauline Alphen (e tem resenha dele no blog, só clicar aqui). Dois personagens (não vou contar quem é pra não dar spoiler) estão conversando sobre O Senhor dos Aneis e a discussão vai para os motivos que levaram cada um dos personagens a seguir para a guerra. No fim, um dos personagens apresenta que Aragorn foi movido pela honra, que Frodo foi movido pelo dever e que Sam, no entanto, foi o único que realmente foi movido por uma vontade interior. Foi ele quem se atirou na empreitada, mesmo não tendo nada a ver com isso. Então pessoas, a partir disso, eu pergunto, quem é o verdadeiro heroi de O Senhor dos Aneis?

A resposta sempre vai depender do que você considera mais valoroso no ser humano.

Série de leitura obrigatória. Mais que recomendada!

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Liége
    abr 03, 2012 @ 23:24:52

    Esse livro é lindo e emocionante! Bom, não preciso nem dizer o quanto sou fã. Acho engraçado essas críticas ao “idealismo” do livro, já que, como você disse, acho que essa era a intenção do Tolkien. Dizem que o fato dele ter passado por duas Guerras Mundiais o influenciou bastante na criação de, digamos, “um mundo melhor”. Eu particularmente gosto do SDA exatamente por causa desse enfoque mais benéfico.

    Agora, sobre os heróis… é, o Sam é um grande herói de SDA, ele foi movido pela amizade ao Frodo. Acho que cada um deles é um herói por motivos diferentes, mas o Sam realmente merece um destaque!

    Responder

    • Melissa
      abr 03, 2012 @ 23:50:05

      Liége, eu também não entendo essa reclamação toda do idealismo do livro. E realmente, ler SdA faz a gente sentir um vigor de bons sentimento e fé na humanidade. Diferente de outros livros, com enfoque mais realista, que só faz a gente pensar no pior do ser humano. Os dois tipos são válidos, claro, e sinceramente, é praticamente impossível comparar.

      Eu também acho que o Sam é o heroi. Ele realmente quis ir atrás do Frodo, ele escolheu, e no fim foi ele quem carregou o fardo da missão. Sem ele o Frodo não teria conseguido. E isso não é desmerecer o Frodo ou Aragorn, que também foram herois e importantes durante toda a história.

      Responder

  2. Rodrigo
    abr 04, 2012 @ 01:56:19

    Ótima resenha, parabéns! Acho que o grande herói da série é Aragorn, não pelos seus motivos (Sam realmente tem os mais nobres) mas pelo que fez. Ele foi um peça essencial para esse último volume, tanto que o título é dele.

    Responder

    • Melissa
      abr 04, 2012 @ 22:10:11

      Rodrigo, eu digo que meu favorito a heroi é o Sam, mas realmente é difícil dizer. Também adoro o Aragorn, ele realmente é quem move todo o terceiro volume, sendo um personagem cheio de honra e coragem. Tem horas que é difícil escolher…

      Responder

  3. Juliana Pires
    abr 04, 2012 @ 12:38:17

    Já confessei vergonhosamente na outra resenha que eu ainda não li os livros, sei que é uma leitura que vai me agradar muito, diferente de outras pessoas que já conheciam a obra há muito tempo, digo antes de lançarem a triologia eu só a conheci mesmo depois do lançamento dos três filmes, que eu só assisti por obra do acaso, mais foi uma sensação que eu nunca vou esquecer, de completo fascínio. Agora como boa leitora que sou tenho que ler pra ontem os livros, sei que Tolkien é a grande influencia e inspiração de muito dos autores que gosto e respeito o trabalho, então é um dever/obrigação minha ler a obra dele, para poder me deleitar com essa viagem pela Terra Média.
    Mel, eu comprei As crônicas de Salicanda, não vejo a hora de começar a ler.

    Beijos

    Responder

  4. Camila - Leitora Compulsiva
    abr 11, 2012 @ 17:03:10

    Oi Mel,
    Eu amo esse livro. Como minha edição é única, não consigo pensar nele como uma trilogia! rs… Mas para mim, a Sociedade do Anel é a melhor parte da história! Sou chegadinha em uma introdução! hehehehe
    Não sabia isso sobre o título que o Tolkien queria não ter sido o escolhido! Que coisa…
    beijos
    Camis

    Responder

    • Melissa
      abr 12, 2012 @ 14:02:18

      Camis, eu também tenho o volume único e realmente, a gente pensa tudo como um bloco só, né?
      Eu acho que é difícil escolher o favorito… E “A Sociedade do Anel” é lindo demais!
      Pois, esse lance dos títulos é bem interessante. Apesar do Tolkien não ter gostado, eu acho que “O Retorno do Rei” é um ótimo título porque, convenhamos, todo mundo sabia que Aragorn ia voltar, né? Então nem foi tão spoiler assim…
      bjs

      Responder

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