A Torre Negra Vol.7 – A Torre Negra

Título: A Torre Negra – A Torre Negra
Título original: The Dark Tower – The Dark Tower
Autor: Stephen King
Ano de publicação: 2007 (primeira edição de 2004)
País de origem: Estados Unidos
Tradução: Mário Molina
Editora: Objetiva – 872 páginas

A série A Torre Negra (veja resenha dos volumes anteriores aqui) chega a seu fim com o volume homômino. O último livro começa exatamente onde o anterior, A Canção de Susannah, termina: com as portas que dão para vários mundos. O ka-tet de Roland finalmente encontra seu fim (e esse fim tem vários sentidos) em sua jornada rumo à Torre Negra que acaba adquirindo o significado de uma jornada interna. Numa série que tematiza tanto a questão do destino, da força que impele alguém a continuar sempre, a obcessão e o devotamento, não é de se admirar que o final tenha um quê místico e revelador. A Torre Negra é com certeza uma série épica que merece ser lida e relida; e cada leitura trará sempre um novo significado.

Em primeiro lugar eu preciso dizer que durante minha leitura dessa série sempre tive a impressão de que estava me aproximando de uma grande revelação. Comentei isso com uma amiga que também é muito fã da série e do King, a Michele do Por Essas Páginas, e ela disse que compartilhava a mesma impressão. A cada página lida, eu tinha certeza de que essa história estava tentando entender o significado do mundo e que se eu chegasse ao final, conseguiria entender o sentido da vida ou coisa assim. Parece loucura, mas foi essa mesmo a sensação que tive nos sete volumes. Acho que senti exatamente o que King queria provocar com essa série: uma espécie de leitura mística. Uma mistura de fantasia, faroeste e livro do apocalipse. E poxa, que leitura foi essa! Que série e que final!

Roland e seu grupo de pistoleiros (o ka-tet, pessoas reunidas pelo destino) composto por Eddie, Susannah, Jake, Padre Callahan e Oi (e quem não queria um cachorrinho desse, né?) chegam até seu último desafio que envolve derrotar algumas forças do mal e embarcar mais uma vez para o nosso mundo, agora no ano de 1999, e encontrar aquele cara estranho chamado Stephen King que parece estar estranhamente ligado ao destino do ka-tet.

Espere muito drama, cenas de ação, filosofia e principalmente um certo misticismo nesse último volume da série que faz referência explícita à lenda do Rei Arthur. E à medida que o confronto final de Roland com o Rei Rubro e a chegada na Torre Negra se aproximam, o leitor tem a sensação de que está deixando toda uma vida para trás, afinal, foram mais de 4.000 páginas até chegarmos nesse ponto.

A Torre Negra é com certeza um dos meus livros favoritos e a série em si é uma leitura inesquecível. O final é bastante polêmico, mas mesmo os radicais na internet que dizem odiar a série e principalmente seu final parecem concordar que há alguma coisa realmente criativa e diferente em A Torre Negra. Com certeza é a grande obra de Stephen King que já entrou pra lista dos clássicos da fantasia. É uma das 10 séries de fantasia que você deve ler antes de morrer. 🙂 Simplesmente primoroso!

A partir desse ponto esse post contém SPOILERS sobre toda a série A Torre Negra. Por isso, se você não quiser saber o que acontece, fique longe!

Okay, hora de discutir um pouco as polêmicas do livro. No post referente ao livro A Canção de Susannah eu já comentei sobre a coisa do Stephen King ter se colocado como personagem da série e já mostrei que isso não foi algo narcissista e sem noção como algumas pessoas dizem, mas sim um recurso de escrita literária bastante criativo e subversivo. Clique aqui pra ler sobre isso.

Nem precisa dizer o quanto eu chorei ao ler a morte de Jake e Eddie nesse livro. Tudo bem, eu sempre soube que o ka-tet não ia chegar inteiro ao final dessa história, mas isso não me impediu de ter lágrimas rolando quando Jake é atropelado e depois ter uma convulsão de choro quando Eddie morreu. Como assim meus dois personagens favoritos morrem no mesmo livro? E a chata da Susanhah ficou viva, mas enfim…

O confronto do Roland com o Rei Rubro é definitivamente criativo e interessante, diferente de tudo que eu já tinha imaginado. E o fato de ele só ter conseguido fazer isso com a ajuda de Patrick (mais um personagem de outro livro do King) é mais incrível ainda. É uma batalha completamente metafísica. Genial! Quando terminei o livro e cheguei no aviso do narrador para que quem quisesse ter um final feliz da história ficasse ali e nunca lesse o resto, prendi a respiração. Eu lembro de ter respirado fundo antes de virar a página e ver Roland entrando na Torre Negra.

Minha opinão sobre o final? *(*(&&%¨&%¨$&* Incrível! Incrível incrível incrível, só isso que posso dizer. Okay, sei que teve gente tendo um ataque de raiva por conta dele (mas teve gente tendo ataque de raiva com o final igualmente incrível de Lost também), mas sinceramente não tinha como terminar essa série de outro jeito. Até porque a grande resposta estava lá o tempo todo: o ka é uma roda. Roland terá que passar por tudo de novo até fazer a escolha certa. E a escolha certa significa não deixar a corneta de Cuthbert na colina de Jericó (e já temos uma dica de que ele está melhorando, afinal, quando ele recomeça sua jornada tem a corneta nas mãos), não deixar Jake morrer no abismo, não deixar que as pessoas para trás naquela busca doentia pela Torre.

O ka é uma roda. Estava na série o tempo todo e o final cíclico de A Torre Negra nos remete a algo épico, místico e grandioso. O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.

Fim dos spoilers.

Roland Deschain retratado por Michael Whelan na capa estado-unidense do sétimo livro

Curiosidades:

  • Stephen King começou a escrever a série aos 19 anos e a primeira frase foi “O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”.
  • O último volume, a Torre Negra, foi lançado em 21 de setembro de 2004, aniversário de 60 anos do Stephen King. (foi uma longa jornada com essa série, hein?)
  • Sobre a série, King declarou: “Já escrevi romances e contos suficientes para encher um sistema solar da imaginação, mas a história de Roland é meu Júpiter, um planeta que faz de anão todos os outros… Somente agora estou chegando a entender que o mundo de Roland na verdade contém todos os outros de minha criação”.
  • O poema de Robert Browing “Childe Roland to the Dark Tower Came”, que King leu numa aula de literatura românica do século 19, foi a inspiração inicial para a série.
  • A inspiração para o personagem Roland Deschain, o pistoleiro, veio do papel de Clint Eastwood como o Homem Sem Nome no filme The Good, the Bad and the Ugly.
  • Em 2007, a história de Roland antes do ka-tet mostrado nos livros foi adpatada para os quadrinhos pela Marvel Comics. King é produtor criativo e executivo dessa série que contará com 7 coleções das quais seis já foram lançadas. Eu li o primeiro volume da primeira coleção e achei bem legal.
  • O diretor Ron Howard está encabeçando a adaptação da série para as telas que contará com uma mescla de filme e série de TV. O primeiro livro seria um filme enquanto o segundo seria uma série de TV e assim por diante até o volume sete. Até agora a HBO assinou para a produção da série de TV e a Warner Bros mostrou interesse na adaptação cinematográfica. Para mais notícias sobre essa adaptação, acompanhe o blog DragonMountBooks, que eles sempre atualizam.

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9 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Karen Alvares
    maio 11, 2012 @ 15:33:24

    Mel, não tenho outra palavra para descrever o livro e a sua resenha: FODA. hahahahaha 😀
    Esse livro é mesmo incrível. Incrível. Incrível. Incrível. Incrível. Incrível! Achei o final sensacional e perfeito. Tava tudo lá, não faria sentido outra coisa. Para mim foi um ensinamento. Você vai ficar na roda do ka até aprender a fazer a coisa certa. Até mesmo para o que eu e você acreditamos, faz sentido né? O Roland só estava preso nessa roda porque queria, porque continuava insistindo nos mesmos erros. E quantas vezes ele já teria vivido a mesma história? Demais demais.
    Eu adoro várias coisas nesse livro. Eu fiz um rio de lágrimas com o Eddie (não com o Jake, não gosto do Jake). Eu gritei de alegria ao aparecer o Penny (não adianta o King dizer que não é ele, pra mim é sim o Parcimonioso!). Eu adorei a importância do Patrick (e depois fui correndo ler Insônia).
    Aliás, já viu o quadro do Roland no filme “O Nevoeiro”, do conto homônimo do King? Sempre que eu vejo pauso e fico admirando. hahahaha 🙂
    A batalha contra o Rei Rubro, todo o significado da Torre. Esse livro é sensacional. Essa história é sensacional. E como disse o King, tá tudo conectado nesse mundo. A obra do King é uma das coisas mais fantásticas que eu já vi. Eu babo nesse cara. Querosercomoelequandocrescer! uhauhauhauhauha

    Responder

    • Melissa
      maio 11, 2012 @ 21:41:54

      Que bom que gostou da resenha, confesso que foi difícil fazê-la porque eu tenho uma relação mega emocional com essa série.

      Toda vez que vejo alguém reclamando do final dessa série eu juro que tento entender, mas não consigo. Quer dizer, pra mim outro final teria ficado fora do clima apocaliptico doidão dos livros. Torre Negra não é série pra “E eles viveram felizes para sempre”. E explicar tudo tintim por tintim nunca foi o estilo do King. O lance dele sempre foi finais abertos.

      E sim, combina muito com o que a gente acredita. 🙂 O significado da Torre é bastante profundo. É uma jornada de auto-conhecimento.

      Um dia eu vou escrever um post sobre o quanto o King conectou seus livros (você podia me ajudar!) e outro sobre como essa série influenciou Lost.

      Responder

      • Karen Alvares
        maio 11, 2012 @ 23:08:38

        Claaaaaaaaaaaaaaaaaro que eu posso te ajudar, adoraria! hahaha 😀
        Um post sobre as conexões dos livros do King, que lindo seria! *___*

  2. Liége
    maio 11, 2012 @ 18:10:25

    AAAAAH, eu li todos os spoilers por não aguentar!! Eu fiquei toda arrepiada com a sua resenha, Melissa! Puxa, se o livro é incrível a sua resenha ficou também!

    Que é esse negócio estilo roda-da-fortuna-número-10-carmina-burana?? Incrível! Ok. Eu preciso ler essa série antes de morrer, mesmo que agora já saiba o final.

    Responder

    • Melissa
      maio 11, 2012 @ 21:43:33

      Liége, que bom que gostou da resenha! Fiquei com medo de ficar muito eu-amo-Stephen-King. hahahaha Mas olha, vale a pena ler antes de morrer sim, mesmo sabendo o final. Até porque a leitura é uma experiência única mesmo.

      Mas eu recomendaria que você lesse algum outro livro do Stephen King antes. Tipo “O Iluminado” pra entender as referências o clima da história.

      bjs

      P.S: não to conseguindo comentar no seu blog. Que será que tá acontecendo?

      Responder

      • Liége
        maio 12, 2012 @ 01:16:58

        Putz, eu não sei o que acontece com os seus comentários e o meu blog, Melissa. Eu não sei mesmo. O blogger na verdade vive dando problemas, mas no geral todo mundo consegue comentar. Mas os seus geralmente só aparecem no meu e-mail e agora você não está conseguindo nem comentar. Talvez tenha alguma coisa a ver com o seu navegador ou com o wordpress… não devia, mas…

  3. Cassy
    maio 11, 2012 @ 20:02:22

    Sou super suspeita para falar dessa série, Stephen King, ou Tio Steve, como adoro chamá-lo, é o meu escritor favorito. E A Torre Negra é excelente, uma das melhores séries de fantasia de todos os tempos sem dúvida. E realmente não entendo algumas broncas com o final da série, pois fica claro o papel de Roland em relação à Torre.

    E menina, que resenha mara!!!!!!

    Responder

    • Melissa
      maio 11, 2012 @ 22:35:41

      Tio Steve! 🙂

      Valeu, Cassy. O final é bem ao estilo King mesmo. Não entedi a surpresa de alguns fãs. Ele é o mestre do final aberto, né?

      Responder

  4. Camila - Leitora Compulsiva
    maio 29, 2012 @ 22:44:53

    Oi Mel,
    Finalmente consegui vir comentar nesse post.
    Menina, vejo sua empolgação com essa série e sinto uma vontade enorme de ler. Mas depois penso bastante e percebo que não tem como pensar em colocar mais essa série na minha lista. Ainda mais com esse tanto de livro!
    Vou ficar nos meus livros adolescentes por enquanto e quem sabe um dia não consigo evoluir!! hehehe
    beijos
    Camis

    Responder

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